sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

O Eu, num zine. Os universos dos perzines.

 


 Olá, zineiros! No post de hoje, vamos falar um pouco sobre perzines: O que são? Pra que servem? Como se faz um perzine? E meus perzines favoritos!


Primeiramente, o que é um perzine?

O termo perzine vem da junção das palavras personal (pessoal, em Inglês) e zine, que vem de magazine (revista, em Inglês). Ou seja, são zines pessoais, geralmente relatos de experiências da vida pessoal do autore. Esses zines, assim como qualquer subgênero de zine, têm diversos formatos e técnicas, mas o principal é que se tratam de alguma coisa mais pessoal. Por exemplo: Se eu fizer um zine falando do meu cantor favorito, contaria como um fanzine, certo? Porque o foco do zine é falar de algo que eu sou fã. Mas, se eu for para um show desse cantor e fizer um zine sobre a minha experiência, ele se torna um perzine, pois se trata da minha experiência pessoal e perspectiva.

Perzines podem ser relatos, desabafos, opiniões, o que for! A ideia é colocar um pedaço do seu universo pessoal num zine, transmitindo parte de você para quem vier a ler seu livrinho. Perzines são ótimos para a expressão pessoal, e são feitos como qualquer outro zine!

Pela sua natureza vulnerável e pessoal, eu acredito que perzines são muito poderosos. E, claro, pela natureza política dos zines, através dos relatos pessoais dos autores, podemos ver denúncias de injustiças, críticas sociais, relatos pessoais que expõem como a nossa sociedade afeta os indivíduos, principalmente em grupos marginalizados. Zines, em destaque agora os perzines, são uma ferramenta poderosa de expressão e também de denúncia e resistência diante das injustiças.

Outra coisa impactante em perzines é o poder da empatia. Como é incrível ler um perzine e se ver naquela obra, também. O ato de se identificar reforça o elo de comunidade que temos entre zineiros, e, mesmo que você não se veja na história, empatia é uma coisa poderosa que nos lembra da nossa humanidade enquanto seres humanos. E eu acho isso lindo. Mesmo nas histórias mais angustiantes, saber que outras pessoas passaram pela mesma coisa que você e sobreviveram para contar a história te faz sentir um pouco dessa força crescendo em você mesmo.

Porquê fazer um perzine?

Existem diversos motivos que podem levar um autore à fazer um perzine. A necessidade de desabafar, auto expressão, ou a ideia de que uma experiência sua merece ser contada. Se você tem uma ideia na cabeça, uma opinião, uma experiência, e não sabe como ou para quem contar, um perzine é uma ferramenta quase terapêutica (eu não sou psicóloga, digo por experiência pessoal e leitura de relatos de outros zineiros!) que você pode usar para colocar as ideias para fora.

Fazendo um perzine.

Eu acho que, para fazer um perzine, você precisa de um pouco de coragem. Desde a infância, eu sempre senti que “se expor” – e com isso quero dizer qualquer tipo de exposição: de ideias, sentimentos, etc. – era uma coisa desnecessária e perigosa: se você se expõe, expõe suas fraquezas. Então para mim, fazer perzine é um negócio muito difícil. Expor uma ideia, uma experiência, é se tornar vulnerável, representa um grande risco que não vale à pena correr, para mim. Exige um nível de vulnerabilidade muito alto, e eu não queria que me vissem dessa forma tão frágil.

Apesar disso, desde que entrei no curso de Artes Visuais, em 2023, tenho visto mais e mais colegas artistas expondo essas vulnerabilidades pela sua arte. Expor o Eu torna uma obra tão pessoal, você sente que está tendo uma conversa privada com o próprio artista: olhar para a obra é como sentar num quartinho longe do mundo, enquanto o artista derrama sobre você essas fraquezas, preocupações, essa essência. E isso sempre me fascinou.

Conhecer meu namorado também me ensinou muito sobre exposição. Ele conhece minhas fraquezas, minhas preocupações, meus anseios e angústias. Assim como conhece o que me dá brilho no olhar, minhas paixões e ambições. Ele é uma das poucas pessoas na Terra que me conhece nesse nível, e ter alguém que te conhece tão bem traz um tipo de força, de certa forma. Unindo essas experiências, eu aprendi que há força e coragem em criar uma obra em que se derrama tanto de si, mesmo com medo do que os outros vão pensar, mesmo com medo de ser vulnerável.

Sendo assim, quando o tema do Clube de Zines foi escolhido, senti que eu poderia me aventurar um pouco no mundinho dos perzines. Peguei um pedacinho do meu universo: minhas ansiedades e angústias da juventude. O tema foi colagem, técnica que eu usei para fazer esse perzine. E dessa vez, eu fiz a colagem analógica, ainda visando o meu objetivo de não me render tanto ao uso de telas e fazer mais coisas à mão.

Foi relaxante! Senti que estava desabafando com uma amiga – só eu, várias revistas, fotos de família que eu imprimi, tesoura e cola. Ali, escrevi algumas frases relacionadas às minhas preocupações e angústias. Deixei um pouco aberto para a interpretação porque, sinceramente, não me sinto pronta para ser tão vulnerável assim, ainda tenho muito o que trabalhar internamente. Mas eu amei o resultado e fiquei bem feliz em ver o zine completo!

Você pode ler o meu perzine ‘Fita Branca’ na Biblioteca de Zines ou no final desse post! :- )

Perzines que eu amo

Depois de todo esse papo sobre perzines, vem agora uma lista de recomendações! Todos esses zines estão na Biblioteca de Zines na categoria “autobiográfico”, vamos conhecer algumas perzines?

  •     girlhood por luana góes; um zine sobre a experiência da minha amiga Luana sendo uma garota/menina/mulher; muito bem executado e com uma mensagem poderosa.
  •     o trem azul por luana góes; mais um zine incrível da Luana! (dá pra ver que eu sou fã? hehe) sobre seu diagnóstico tardio de autismo. Me fez refletir bastante sobre minhas próprias questões de saúde mental, adorei. <3
  •     poesias pra quem tem o quadril bichado por brujasulbaiana; uma coletânea de poesias sobre dores crônicas, saúde mental e outras coisas; achei bem forte, me identifiquei, senti empatia, foi uma jornada de emoções que se intensifica à cada página;
  •     aceita um cafezinho? por pedro daquer; um zine sobre memórias e afetos que existem na vida do autor em torno do café; achei um amor, me fez lembrar das minhas experiências com café também <3


Tá esperando o que? Faça um perzine!

Se você se inspirou lendo alguns desses zines, eu te convido à fazer o seu próprio! Você não precisa começar contando todos os seus traumas ou criando uma análise política super aprofundada da sua identidade, se não quiser. Sugiro usar o perzine para desabafar sobre algum problema pessoal, ou então contar uma experiência sua que pode ter sido positiva ou negativa, ou contar como você aprendeu uma lição de vida importante; No fim das contas, você que escolhe o quanto do seu universo vai compartilhar com a comunidade.

Mas eu te digo, não importa o que seja, você é importante, e suas histórias merecem ser ouvidas, não importa o quão insignificante você ache que elas são.
Me diz aí: Você já fez perzine? Já leu outro perzine que eu não mencionei aqui? Esse texto te deu alguma ideia nova? Conta pra mim nos comentários, amo conversar com vocês. : -)

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Nunca deixem de criar,

Yas : )

Confira agora 'Fita Branca', meu mais novo perzine!


 
 

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