domingo, 25 de janeiro de 2026

2026 é o ano do Zine… (E como entrar nessa!)



2026 é o ano do Zine… (E como entrar nessa!)

Antes de tudo, gostaria de mencionar o artigo do Commonplace Zines que me inspirou à escrever esse texto. Está em Inglês, mas pra quem sabe o idioma (ou se vira com um tradutor) eu recomendo muito! confira!

Em algum momento em 2025, passei a contribuir para o projeto Biblioteca de Zines, uma iniciativa que busca abrir um espaço para que as pessoas possam publicar seus zines online numa biblioteca própria e, assim, possam compartilhar seu trabalho e, também, conhecer o trabalho de outros artistas e zineiros Brasil a fora… Eu me apaixonei pela ideia de difundir mais ainda a cena de zines no Brasil, e por isso escolhi participar. E assim começou minha vivência entre os fanzineiros do nosso país… E está sendo uma jornada!


Confira o Substack da Biblioteca de Zines!

Biblioteca de Zines | Substack



Percebi que, na segunda metade do ano, nós do projeto conseguimos difundir bastante os fanzines em nossas regiões (eu dei uma oficina de fanzine na Paraíba, inclusive, muito top! Depois quero trazer meu relato pra cá.) e com isso eu vejo o fanzine se popularizando bastante entre pessoas da minha idade e mais jovens. E eu tenho uma teoria do porquê…

Bem, eu acho que, com a popularização da IA generativa (eca) e com os nossos vícios em telas e mídias curtas, nossos cérebros têm ficado cada vez mais cansados. Poxa, eu mesma fico presa num ciclo de não aguentar mais ver reels, mas não conseguir sair dessa prisão de 6,5 polegadas… Estamos cansados, mas ao mesmo tempo é difícil ver uma outra alternativa de como passar o tempo, já que muitos de nós ficou preso nas telinhas durante a pandemia e não superou isso até agora… (Inclusive, vocês não acham que a gente “superou” a pandemia meio rápido? Tipo, eu sinto que, assim que o lockdown acabou, a maioria das pessoas age como se nada tivesse acontecido…)

Considerando esse ciclo vicioso com as telas e o fato de que a IA generativa (eca) têm tentado matar a criatividade – coisa que nos faz humano, na minha opinião – podemos perceber como algumas pessoas têm se sentido afogada num mar de mídias curtas e vazias, de conteúdos rasos e dessocialização causada por assistir reels por 8 horas seguidas. Cansamos disso! E agora, as pessoas estão, aos poucos, buscando fazer coisas que as afastem das telas e as levem ao mundo real, há uma busca por estar presente, por sentir e se livrar da anestesia que a internet hoje em dia nos faz sentir mais e mais a cada dia.

Percebi esse comportamento pela popularidade crescente de hobbies como crochê, colagem, desenho, pintura e etc. Outra mídia física que vêm ganhando seu espaço é, com certeza… O zine. Mas, o que são zines? A palavra zine vêm da abreviação da palavra inglesa magazine, que significa revista. Zines são revistas, da mesma forma que uma revista tradicional tenta te vender produtos, um zine tenta te passar ideias. Esses livrinhos são usados para expressar ideais, desabafar sentimentos, espalhar ideias de uma causa, ensinar ou contar alguma história. São uma ferramenta acessível de expressão usada por pessoas do mundo todo. Tem muito mais na história dos zines do que isso, mas eu acho que essa definição é o suficiente para o que vou falar nesse artigo.

O que me fascina na linguagem dos zines é sua versatilidade: você pode escrever, ou não. Pode fazer colagem, desenho, fotografia… Ou não! Os formatos são infinitos, e as possibilidades também! Um zine pode ser feito digitalmente ou manualmente, que é o tipo que eu vou abordar agora.


Com o crescimento da necessidade de se afastar das telas e relaxar, eu acredito que criar zines é meu caminho preferido para tal. Sentar à mesa com nada além de papel, caneta e meus pensamentos é um desafio gostoso e que, quando completo, traz uma sensação de trabalho bem feito como nenhum outro.

Preparei então um guia de como fazer seu primeiro zine aqui, neste artigo, para que você, leitor, possa entrar para esse universo maravilhoso dos zines! Então pegue seu papel, caneta e o que mais você quiser e mãos à obra!

Passo I: Escolha um formato;

Como eu mencionei antes, zines podem ter vários formatos. Você pode fazer em qualquer tamanho, cor ou forma de papel (ou não! Eu já vi zines feitos em papelão, plástico, etc.) Para começar, um zine de 8 páginas é perfeito! Tudo numa folha só, feito com poucas dobras e apenas um corte! Deixo abaixo um tutorial em vídeo de como fazer a dobradura de um zine de 8 páginas:

Passo II: Sobre o que vai ser seu zine?

Um zine pode ser sobre qualquer coisa, e existem vários subgêneros. Temas que eu considero fáceis para começar são:

  • Lyric zine: Letras de músicas acompanhadas de desenhos, colagens ou gráficos relacionados;
  • Um zine com poesias;
  • Desenhar coisas aleatórias da sua casa em cada página do seu zine;
  • Uma colagem com fotos do seu último passeio/viagem;

Passo III: Mão na massa!

Use canetinhas, marcadores, lápis, cole imagens, o que for! Deixe sua mão solta e não se preocupe com perfeição! O objetivo do zine é se expressar e passar uma mensagem, seja ela complexa ou simples.


Passo IV: Faça cópias;

Parte da magia dos zines é que eles podem ser reproduzidos diversas vezes e distribuídos para muitas pessoas. Encontra uma impressora e scanner ou copiadora e faça cópias do seu zine!

Passo V: Distribua!

Zines podem ser distribuídos em qualquer lugar! Feiras literárias, bibliotecas/sebos (com permissão dos donos, claro), etc. Ou, você pode entregar cópias como presentes aos seus amigos. (Ex.: Faça um zine de fotos (ou photozine) com fotos do seu último passeio com seus amigos, faça uma cópia para cada amigo que estava no role, e presenteie para eles terem uma cópia física das memórias daquele dia!)

Você também pode digitalizar seu zine e enviar ele para a Biblioteca de Zines, projeto que eu mencionei no início do texto. ; )

Agora que eu dei essas dicas básicas para a produção de zines, vá em frente e produza! Você pode fazer zines digitalmente também, claro, mas eu foquei na produção manual dessa vez porque o objetivo é se afastar das telas. Crie, faça arte, gostoso demais!
Deixo aqui algumas recomendações de zines para ler, porque acho importante demais ler para achar inspiração, é bom principalmente se você ficou preso no Passo II ! Todos esses zines foram retirados do acervo da Biblioteca de Zines.

Zineiros que eu amo:

  • Luana Góes: Uma zineira e artista visual do Amapá, fundadora da Biblioteca de Zines, a maioral!
  • Thayná Almeida: Outra artista visual, daqui do RN, que já publicou alguns zines de forma independente!
  • Brattyxbre: Uma zineira gringa com canal no youtube sobre zines e a vida de artista independente.
E chegamos ao fim! Espero que tenham curtido esse textinho e que ele tenha sido fonte de inspiração. Na próxima edição da newsletter, vou trazer outros tipos de dobradura e mais tutoriais em vídeo.


Nunca deixem de criar,

Yas : )


O Eu, num zine. Os universos dos perzines.

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